Dia 4 de agosto de 2010, quarta-feira, às 20 horas.
Facilitador Didata Cleber Castilhos
Local: Frater Espaço Biocêntrico, Rua Vicente da Fontoura, 1015 sala 201
Informações com o Facilitador: clebercastilhos@yahoo.com.br
Telefones (051) 3332-5526 e 9814-4318
fragmento extraído de “A Dança dos Deuses Hindus”, Ensaio Mitológico de Cleber Castilhos, apresentado como titulação em Biodanza. Porto Alegre, 1994.Um dia, Shiva, disfarçado de um devoto iogue, quis dar uma lição nos sábios da floresta de Taragu, que estavam muito soberbos. Os sábios, para testar o novo jogue, armaram uma fogueira encantada. Imediatamente, surgiu um tigre da fogueira e atacou Shiva. Como se o tigre fosse inflável, ele o apertou e fez um agasalho para si. Logo em seguida, materializou-se uma terrível naja; com toda calma, fez da cobra um adorno para seu pescoço. Em seguida, surge o demônio Quar e Shiva joga-o no chão e dança sobre ele. Transforma-se em sua imagem divina como Shiva Nataraja ou Shiva dançante."
Esse é um dos diversos mitos do deus Shiva, talvez a divindade mais querida dos hindus. Podemos considerar a Dança de Shiva como uma manifestação física no ritmo cósmico. Shiva Nataraja personifica o eterno movimento do universo. [1]
Esta dança representa a destruição do mundo de ilusões de mãyã [2]. Na concepção hinduísta, o cosmos visível nada mais é que uma ilusão, uma miragem que oculta o verdadeiro ser. Somente quando olhamos através das esferas externas das aparições palpáveis e visíveis é que se pode avançar em direção ao ser puro, ao absoluto, seja qual for o nome que se dê (absoluto, transcendente, imortal, etc.).
A essência e fundamento de mãyã, que envolve a verdade como um véu, é a contradição. Da mesma forma como os lados escuros da vida formam um contrapeso para os claros, ambos os lados se intercalam, como a suave bondade dos deuses e a sinistra ambição dos demônios. O mundo, assim representado, é uma mistura de bem e de mal, de felicidade e de infelicidade. Shiva impõe a aceitação desta totalidade, como condição para compreender a fluidez do mundo. No transcorrer de uma vida, como na Dança de Shiva, nem bem a melodia e o movimento são iniciados e, rapidamente, já os perdemos.
O caráter dinâmico do universo e de todas as suas criaturas, tal como é revelado pela filosofia hindu, nos transporta a um outro conceito de tempo, muito distante do modelo cartesiano, que influenciou quase toda cultura ocidental neste século .
Como tentativa para aproximar-nos desta realidade pulsante, é valiosa e oportuna a associação que a Biodanza utiliza para a Dança das Transformações:
"La danza de Shiva es la representación del proceso cósmico de creación y destrucción infinita, Un bailarino solitario, en el circulo de fuego de Ias constelaciones, realiza los movimientos que crean y destruyen el Universo, mediante formas místicas que desplazan los padrones cósmicos de tiempo, espacio y materia, La danza viene siendo, así, un conjunto dramático de movimientos que tienen un poder de mutación, de transformación de Ia realidad." [3]
Porém, quando o indivíduo apreende sua tarefa e sua participação no palco da vida, feita de desejo e sofrimento, inicia numa nova fase, sem tristeza e sem decepção:
"Quando o ator toca o tambor, todos vêm vê-lo. Quando o ator junta seus apetrechos, está sozinho na sua felicidade”. [4]
O sofrimento e a alegria do cotidiano elevam-no em êxtase, transformando-se ele próprio no grande dançarino cósmico. Dizem os místicos shivaístas, que aquele que vê essa dança mística, livra-se da corrente dos renascimentos, e sua alma emerge no oceano da bem-aventurança.
A seguir, descrevo os atributos presentes nos diversos gestos simbolizados na Dança de Shiva [5]:
· a mão direita superior de Shiva traz, para marcar o ritmo da dança, o tambor; símbolo do som da criação, cuja batida é o passar do tempo, primeiro princípio da criação. Este gesto (mudrã), é originalmente executado segurando-se o tambor pelos dedos mínimos e indicador esticados (damaru-mudrã). O som, também é o veículo da fala, verdade divina, portador da revelação, encantamento e magia. Além disso, o som é associado na Índia, com o éter, o primeiro dos cinco elementos. O éter é a manifestação sutil que emana da substância divina, da qual se desenvolveram os outros elementos: o ar, a água, a terra e o fogo.
· a mão esquerda superior, cujos dedos assumem uma posição semelhante a uma meia-lua (ardhachandra-mudrã), traz em seu interior uma chama que simboliza a destruição do mundo criado. O fogo aniquila e remove as ilusões. Destruindo o próprio corpo da criação, é então ele apagado pelo oceano do vazio. O equilíbrio das mãos, assimila-se ao equilíbrio criação-destruição na grande dança cósmica: a criação incessante versus o "apetite" da destruição (o som contra a chama).
· garantindo proteção e paz, o gesto de afastar o medo (abhaya-mudrã) ou "Não Temas", é realizado com a segunda mão direita inferior; estendida com os dedos erguidos e a palma voltada para a frente.
· a outra mão esquerda, na extremidade do braço transversal ao peito, imitando a tromba esticada de um elefante (gaja-hasta-mudrã) simboliza Ganesha, o removedor de obstáculos, filho de Shiva. Apontando para baixo, em direção ao pé esquerdo erguido, esta mão almeja alcançar a união com o Absoluto, garantindo a manifestação expressa no gesto "Não Temas".
· o pé esquerdo levantado, significa liberação, simbolizando o elefante (aquele que abre caminho pela selva do mundo: o guia divino).
· com o pé direito, Shiva subjuga o anão-demônio Apasmãra-Purusa, dançando sobre suas costas: o anão-demônio simboliza a cegueira da vida, a ignorância humana. Forçando-o a reconhecer a verdadeira sabedoria, Shiva aponta para a libertação da servidão do mundo.
O dançarino cósmico está cercado por um anel de chamas e luz, emanados da própria divindade. Simboliza os processos vitais do universo e de suas criaturas; a própria natureza em dança. As chamas também estão associadas à sabedoria, à luz transcendental do conhecimento da verdade. Outro significado alegórico atribuído ao anel flamejante, refere-se à silaba sagrada AUM ou OM (as vogais "a" e 'u", quando juntas, formam "o"). A = consciência vigil, o estado desperto, experiência rudimentar. U = consciência onírica, que vivencia as formas sutis dos sonhos. M = sono sem sonhos, consciência imóvel e indiferenciada, onde toda experiência é dissolvida numa não-experiência. O silêncio que segue à silaba sagrada, é o Imanifesto Transcendente: supraconsciência que se funde com a pura essência da realidade divina.
Nesta dança, a cabeça do deus é equilibrada, serena e imóvel, em meio ao dinamismo da criação e da destruição, simbolizado pelos braços oscilantes e pelo ritmo do calcanhar direito, que é batido lentamente. O brinco da orelha direita de Shiva é de homem e o da esquerda, de mulher (o deus inclui e ultrapassa a noção de pares de opostos). Sua expressão facial, não é nem de tristeza, nem de alegria e, apesar de seu olhar estar em conexão ao infinito, não ignora os prazeres e dores do mundo.
Os cabelos de Shiva, longos e revoltos em mechas, representam os cabelos há muito não cuidados do jogue Indiano, dançando a vida - ora nos momento de alegrias e tristezas do mundo, ora nos momentos de meditação profunda.
Na dança cósmica, reúnem-se as cinco propriedades ou atividades de Shiva:
- Criação e evolução (sristi),
- Preservação e proteção (sthití),
- Destruição e renascimento (samhara),
- Jogo de ilusões, a ocultação do ser verdadeiro (tiro-bhava): o velar do verdadeiro ser por trás das vestes e máscaras das aparências, da manifestação de mãyã,
- Graça (anugraha): a concessão da paz através de uma manifestação reveladora.
Estas propriedades estão perfeitamente integradas e assumem sentido no mover-se do deus. Estão simbolizadas pelas posições das mãos e dos pés (as três mãos superiores: criação, conservação, destruição, respectivamente; o pé sobre o anjo demônio da ignorância é o jogo das ilusões e o outro, erguido, é a Graça. A mão do elefante, representa a ligação entre as outras três e os pés, prometendo paz a quem vivencia a relação). Todas as cinco atividades são manifestadas em seqüência, simultaneamente à pulsação de cada momento, através das diversas transformações que sofrem no ciclo dos tempos.
Nas palavras de Coomaraswamy:
"Oh, meu senhor, tua mão, que segura o tambor sagrado, colocou o céu, a Terra, outros mundos e incontáveis almas no lugar correto. Tua mão erguida protege tanto a ordem consciente da criação como a inconsciente. Todos estes mundos são transformados pela mão que leva o fogo. Tua mão esquerda dá abrigo às almas sofridas e cansadas. Teu pé erguido garante a eterna bem-aventurança a todos aqueles que se aproximam de ti. [6]
Esta dança representada por Shiva Nataraja, como já vimos, serviu de modelo para que Rolando Toro criasse a Dança das Transformações. Três categorias essenciais do movimento foram utilizadas por Toro na sua elaboração:
A seguir, descrevo os atributos presentes nos diversos gestos simbolizados na Dança de Shiva [5]:
· a mão direita superior de Shiva traz, para marcar o ritmo da dança, o tambor; símbolo do som da criação, cuja batida é o passar do tempo, primeiro princípio da criação. Este gesto (mudrã), é originalmente executado segurando-se o tambor pelos dedos mínimos e indicador esticados (damaru-mudrã). O som, também é o veículo da fala, verdade divina, portador da revelação, encantamento e magia. Além disso, o som é associado na Índia, com o éter, o primeiro dos cinco elementos. O éter é a manifestação sutil que emana da substância divina, da qual se desenvolveram os outros elementos: o ar, a água, a terra e o fogo.
· a mão esquerda superior, cujos dedos assumem uma posição semelhante a uma meia-lua (ardhachandra-mudrã), traz em seu interior uma chama que simboliza a destruição do mundo criado. O fogo aniquila e remove as ilusões. Destruindo o próprio corpo da criação, é então ele apagado pelo oceano do vazio. O equilíbrio das mãos, assimila-se ao equilíbrio criação-destruição na grande dança cósmica: a criação incessante versus o "apetite" da destruição (o som contra a chama).
· garantindo proteção e paz, o gesto de afastar o medo (abhaya-mudrã) ou "Não Temas", é realizado com a segunda mão direita inferior; estendida com os dedos erguidos e a palma voltada para a frente.· a outra mão esquerda, na extremidade do braço transversal ao peito, imitando a tromba esticada de um elefante (gaja-hasta-mudrã) simboliza Ganesha, o removedor de obstáculos, filho de Shiva. Apontando para baixo, em direção ao pé esquerdo erguido, esta mão almeja alcançar a união com o Absoluto, garantindo a manifestação expressa no gesto "Não Temas".
· o pé esquerdo levantado, significa liberação, simbolizando o elefante (aquele que abre caminho pela selva do mundo: o guia divino).· com o pé direito, Shiva subjuga o anão-demônio Apasmãra-Purusa, dançando sobre suas costas: o anão-demônio simboliza a cegueira da vida, a ignorância humana. Forçando-o a reconhecer a verdadeira sabedoria, Shiva aponta para a libertação da servidão do mundo.
O dançarino cósmico está cercado por um anel de chamas e luz, emanados da própria divindade. Simboliza os processos vitais do universo e de suas criaturas; a própria natureza em dança. As chamas também estão associadas à sabedoria, à luz transcendental do conhecimento da verdade. Outro significado alegórico atribuído ao anel flamejante, refere-se à silaba sagrada AUM ou OM (as vogais "a" e 'u", quando juntas, formam "o"). A = consciência vigil, o estado desperto, experiência rudimentar. U = consciência onírica, que vivencia as formas sutis dos sonhos. M = sono sem sonhos, consciência imóvel e indiferenciada, onde toda experiência é dissolvida numa não-experiência. O silêncio que segue à silaba sagrada, é o Imanifesto Transcendente: supraconsciência que se funde com a pura essência da realidade divina.Nesta dança, a cabeça do deus é equilibrada, serena e imóvel, em meio ao dinamismo da criação e da destruição, simbolizado pelos braços oscilantes e pelo ritmo do calcanhar direito, que é batido lentamente. O brinco da orelha direita de Shiva é de homem e o da esquerda, de mulher (o deus inclui e ultrapassa a noção de pares de opostos). Sua expressão facial, não é nem de tristeza, nem de alegria e, apesar de seu olhar estar em conexão ao infinito, não ignora os prazeres e dores do mundo.
Os cabelos de Shiva, longos e revoltos em mechas, representam os cabelos há muito não cuidados do jogue Indiano, dançando a vida - ora nos momento de alegrias e tristezas do mundo, ora nos momentos de meditação profunda.
Na dança cósmica, reúnem-se as cinco propriedades ou atividades de Shiva:
- Criação e evolução (sristi),
- Preservação e proteção (sthití),
- Destruição e renascimento (samhara),
- Jogo de ilusões, a ocultação do ser verdadeiro (tiro-bhava): o velar do verdadeiro ser por trás das vestes e máscaras das aparências, da manifestação de mãyã,
- Graça (anugraha): a concessão da paz através de uma manifestação reveladora.
Estas propriedades estão perfeitamente integradas e assumem sentido no mover-se do deus. Estão simbolizadas pelas posições das mãos e dos pés (as três mãos superiores: criação, conservação, destruição, respectivamente; o pé sobre o anjo demônio da ignorância é o jogo das ilusões e o outro, erguido, é a Graça. A mão do elefante, representa a ligação entre as outras três e os pés, prometendo paz a quem vivencia a relação). Todas as cinco atividades são manifestadas em seqüência, simultaneamente à pulsação de cada momento, através das diversas transformações que sofrem no ciclo dos tempos.
Nas palavras de Coomaraswamy:
"Oh, meu senhor, tua mão, que segura o tambor sagrado, colocou o céu, a Terra, outros mundos e incontáveis almas no lugar correto. Tua mão erguida protege tanto a ordem consciente da criação como a inconsciente. Todos estes mundos são transformados pela mão que leva o fogo. Tua mão esquerda dá abrigo às almas sofridas e cansadas. Teu pé erguido garante a eterna bem-aventurança a todos aqueles que se aproximam de ti. [6]
Esta dança representada por Shiva Nataraja, como já vimos, serviu de modelo para que Rolando Toro criasse a Dança das Transformações. Três categorias essenciais do movimento foram utilizadas por Toro na sua elaboração:
- Unidade: "significa que todo el cuerpo se mueve en perfecta coordinación, integrando sus partes y conectóndose a todo lo viviente. Desde el punto de vista psicomotor, requiere una integración de vías piramidales y extrapiramidales," [7]
- Equilíbrio: "plantea Ia exigencia del movimiento en relación con Ia fuerza de gravedad de Ia tierra, reajustando en todo momento Ias estructuras posturales. Todas Ias variaciones se realizan en equilibrio inestable sobre una pierna, lo que requiere Ia integración de los receptores del equilíbrio del oído interno con Ias estructuras córtico-cerebelosas" [8]
Enriquecendo ainda mais esta conceituação, agregam-se, as funções psíquicas de adaptação e equilíbrio existencial, frente as tentações de mudança e busca de novas opções para um estilo de vida saudável. Muitas vezes somos chamados a novos paradigmas: um novo amor, um novo trabalho, um novo lugar. Encontrar um equilíbrio interior (a partir do seu centro) é, sem dúvida, critério fundamental para atingirmos algo que se possa chamar de equilíbrio existencial.
- Harmonia: "Ios movimientos deben hacerse en perfecta fusión con Ia música, dando el cuerpo Ia pulsación de Ia vida". [9] Pulsação essa, que - no ponto máximo, cessa a aparente barreira entre o mundo interior e o mundo exterior . Nas primeiras experiências com a Dança das Transformações, os participantes do grupo podem experimentar sensível integração de suas estruturas sensório-motoras, auditivas, visuais e vestibulares. Toro percebeu, também, que em estágios mais avançados, outros níveis de integração podem ser induzidos, ativando-se não apenas as vias corticais, senão os centros límbicos relacionados com a "consciência cósmica".
[1] Podemos associar a idéia da "eterna mudança", presente na mitologia hindu, com a frase do grego Heráclito: “A única coisa permanente no mundo é a mudança”. Como veremos, no decorrer deste ensaio, há muitos pontos em comum entre o pensamento indiano antigo e o grego.
[2] Necessitaríamos uma obra inteira para tratarmos do conceito de "mãyã". Por ora, reportemo-nos a conceituação de Zimmer: " A mãyã dos deuses é o poder que têm de assumir diversas formas, exibindo, segundo sua vontade, vários aspectos de sua essência sutil. Mas são, os próprios deuses, a produção de uma mãyã maior: a espontânea autotransformação de uma substância de origem indiferenciada, divina e onigeratriz. Essa mãyã maior produz não apenas os deuses, mas o universo no qual atuam. (...) Mãyã é a Existência: tanto o mundo compreendido por nossa percepção quanto nós próprios que, inseridos nesse meio que se expande e dissolve, também nos desenvolvemos e dissolvemos. Ao mesmo tempo, mãyã é o poder supremo que gera e anima a manifestação, aspecto dinâmico da substância universal. É, a um só tempo, efeito (fluxo cósmico) e causa (poder criativo)." ZIMMER, Heinrich. Mitos e símbolos na arte e civilização da Índia. São Paulo, Palas Athena, 1989. p.30
[3] TORO, Rolando. Teoria da Biodança: Coletânea de Textos. Editora da ALAB, Fortaleza, 1991. p.106
[4] COOMARASWAMY, AnandaK. The dance of Shiva. Asian Publishing House, Bombaim, 1948. p.66
[5] A Dança de Shiva é universalmente conhecida, pelos diversos achados arqueológicos: estatuetas do deus dançarino. Rolando Toro, inspirado nessa simbologia, criou a "Dança das Transformações", designação correta que se deve empregar, quando fizermos referência à vivência específica de Biodanza. Sugere-se que, com este subsídio informativo, possa-se esclarecer na consigna ou em momento anterior, os elementos que considerarmos significativos. Não deve o facilitador orientar os participantes a seguirem fielmente os passos estabelecidos, sob o risco da vivência se tornar mecânica. Com uma correta descrição e uma precisa consigna, os participantes do grupo associam de forma consciente, ou não, os elementos que forem mais emergentes no momento da sua vivência.
[6] COOMARASWAMY, Ananda K. op. cit., p.71
[7] TORO, Rolando. op. cit., p.407
[8] Ibid., p.408
[9] Ibid., p.408
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